Tratem bem o futebol profissional

Sónia Carneiro

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DE SALTO NA BOLA - Opinião de Sónia Carneiro

Deixei, na quinta-feira, de ser Diretora Executiva Coordenadora da Liga Portugal e não posso deixar de agradecer as centenas de mensagens elogiosas recebidas, que ficarão para sempre na minha memória e no meu coração.

Foi um caminho de seis anos repleto de momentos extraordinários, pleno de adrenalina e de conquistas para o futebol profissional e, por que não dizê-lo, para mim e para cada um dos que vivem o futebol procurando o bem comum.

A 22 de abril de 2018, a convite deste jornal, escrevi o meu primeiro artigo numa coluna a que chamei "Liga-te" e recordo o seu primeiro parágrafo: "Esta coluna (...) tem como principal escopo deixar algumas mensagens que se me afiguram importantes para as competições profissionais de futebol." Assim foi por quase três anos e meio.

Estando geneticamente condicionada a ter opinião, qualidade que apurei no percurso académico e como advogada, nunca abdiquei do direito à convicção. Acho até que é um direito inalienável. Agora, graças à ousadia simpática do José Manuel Ribeiro, manterei o privilégio de apresentar quinzenalmente as minhas ideias, opiniões e convicções ao público leitor de O JOGO, sendo este o primeiro de muitos artigos, espero eu, com uma responsabilidade acrescida no trilhar do caminho futuro.

Continuarei a andar por aqui, sempre fiel aos princípios da independência de pensamento e da liberdade de consciência bem resumidas na máxima da escritora britânica Evelyn Beatrice Hall "Não concordo com o que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito a dizê-lo."

A paixão pelo futebol e a experiência que tive a oportunidade de adquirir na Liga Portugal irão marcar os temas que aqui trarei: a organização e gestão rigorosas desta atividade, a melhoria das condições de mercado em que atuam as sociedades desportivas, a ética, a verdade desportiva e, claro, a evolução legislativa e regulamentar que devem progredir no sentido de criar essas condições e a melhoria do futebol-indústria, que não se pode dissociar da emoção e dos adeptos.

Esta industrialização do futebol como objetivo macro está repleta de desafios ainda em curso: a centralização dos direitos audiovisuais com obrigatória participação das sociedades desportivas, a alteração do modelo jurídico e fiscal das sociedades desportivas, a redução do IVA nos bilhetes, a reformulação da distribuição das apostas desportivas e o novo modelo de governação da Liga, são alguns dos muitos projetos que a equipa do organismo tem pouco menos de dois anos para lograr implementar. Estou segura de que o fará, com o habitual sucesso.

Garanto que, lá atrás, como aqui, tudo farei para que se trate bem o futebol profissional.